O Túnel do Tempo de hoje volta a 14 de outubro de 2006. Neste dia, impressionado com o trecho do livro que relia à época, decidi postá-lo para mostrar que quando menos esperamos, o mais improvável acontece...

"(...) Velas tensas, barco bem adernado para esquerda, a vida contra o vento não era um suplício, como parece a princípio. O despertador trabalhando na sua eterna função de tocar a cada quarenta e cinco minutos. Dormia pouco e bem, e passava grande parte do tempo agora na calçada da "rua Direita", a que estava do lado do vento e era mais alta, para onde transferi o serviço de refeições.
Comendo frango xadrez, com hashi, prato no colo e pés na borda, notei algo estranho no convés. Passei o dedo sobre a tinta clara: havia pó. Um pó avermelhado. Quase não acreditei. Quando olhei para cima não havia mais muitas coisas brancas. Velas, antena, deck, convés, tudo avermelhado no lado que recebe o vento - o direito!
A novecentas milhas da costa do Senegal, no meio do Atlântico, eu estava coberto da poeira fina e errante do Saara! O deserto cruzando o oceano. Quantas coisas acontecem numa viagem sem escalas! Apenas mar desde que parti, só mar até chegar e, no entanto, de tudo havia ao redor. Paisagens novas e tão diferentes entre os mesmos elementos. (...)"
Trecho de: Paratii: Entre Dois Polos de Amyr Klink